Tim Maia, uma carreira de sucesso

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Primeiros Anos

Sebastião Rodrigues Maia nasceu no dia 28 de setembro de 1942, na Rua Afonso Pena 24, coração do tradicionalíssimo bairro da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Por volta dos sete anos, já compunha suas primeiras músicas.

Formou em 1956 o seu primeiro conjunto musical, Os Tijucanos do Ritmo que faziam o circuito das paróquias cariocas com certa influência de artistas como Trio Los Pancho, Sonora Matancera e Perez Prado. O conjunto não durou por muito tempo após uma discussão e quebra de um violão, mas seu pai um admirador apostou no menino precoce, dando-o como incentivo outro instrumento. Em 1957 forma o grupo Sputniks.

Rumo à América

Antes de completar dezessete anos, viajou para os EUA criando o conjunto “The Ideals” gravando a música New Love, de sua autoria. Com um grave semelhante ao de Barry White, contaminado pela sonoridade dos “The Isley Brothers”, sua jornada americana terminou na América do Norte sendo forçado a retornar ao seu país de origem.

O Caminho para o Sucesso

Em 1968, produziu o disco “A Onda É o Boogaloo”, de Eduardo Araújo. Pioneiro, Tim foi o grande responsável por trazer a sonoridade da soul music para a Jovem Guarda. Mas a grande virada veio mesmo quando o já consagrado Roberto Carlos gravou uma canção de sua autoria, “Não Vou Ficar”, para o álbum Roberto Carlos (1969). A canção que também fez parte da trilha sonora do filme Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa, foi um grande sucesso e ajudou a abrir várias portas para que Tim pudesse partir enfim, para o seu primeiro trabalho solo, um compacto lançado pela CBS em 1968, que trazia duas músicas de sua autoria chamadas “Meu País” e “Sentimento”.

Sua carreira no Brasil se consolidou a partir de 1969, quando gravou um compacto simples pela Fermata com “These Are the Songs” (regravada no ano seguinte por Elis Regina em duo com ele e incluída no álbum “Em Pleno Verão”, de Elis) e “What Do You Want to Bet”.

A partir daí, o nome de Tim Maia ganhou enorme projeção entre músicos e executivos da indústria fonográfica.

Anos 70

Foi na década de setenta que Tim Maia finalmente mostrou ao Brasil a força do seu talento.

O caminho para o sucesso foi pavimentado nos anos anteriores, quando Tim Maia trabalhou com diversos artistas renomados (Erasmo, Elis Regina, Mutantes), cantou em programas de TV com o pessoal da Jovem Guarda e fez o seu nome como um músico completo e talentoso.

Em 1969, o compacto de “Primavera”, composição do parceiro de banda Cassiano, explodiu nas rádios e o catapultou para a fama.

O Estouro

A consagração definitiva veio em 1970 com “Tim Maia”, seu primeiro LP, que foi lançado pela gravadora Polydor após uma indicação dos Mutantes. O sucesso foi simplesmente arrasador, o álbum vendeu mais de duzentas mil cópias e se manteve por seis meses em primeiro lugar no Rio de Janeiro, com destaque para as faixas “Azul da Cor do Mar”, “Coronel Antônio Bento” (Luís Wanderley e João do Vale), “Primavera (Cassiano) e “Eu Amo Você” . Para fechar o ano com chave de ouro, Tim gravou “Chocolate”, que originalmente era um jingle para a Associação Brasileira dos Produtores de Cacau e se transformou em mais um enorme sucesso.

Nos três anos seguintes, ainda na Polydor , lançou mais três LP´s homônimos que foram grandes êxitos de vendagem e execução nas rádios. Canções como “Não Quero Dinheiro (Só Quero amar)”, “Gostava Tanto de Você” (Edson Trindade) e “Réu Confesso” caíram no gosto do povo e animaram festas e bailes por todo o país.

Racional: Em Busca da Imunização

Na década de 1970, conheceu Manuel Jacintho Coelho, líder da polêmica doutrina Cultura Racional. Tim mergulhou de cabeça nas idéias do guru ao ler a série de livros chamados de “Universo em Desencanto” e mudou de forma drástica seu estilo de vida, que de desregrado e boêmio, passou a ser disciplinado e saudável. A influência da Cultura Racional também atingiu a música e Tim decidiu fazer dois álbuns chamados Tim Maia Racional, volumes Um e Dois , ambos lançados pelo seu próprio selo batizado de Seroma (palavra “amores” ao contrário e abreviação do próprio nome, “Sebastião Rodrigues Maia”).

Esses discos são considerados verdadeiras obras-primas, principalmente pela fortíssima pegada de soul e funk, e pela ótima forma física que foi extremamente benéfica para a qualidade de sua voz.

Depois Tim Maia se decepcionou com a Cultura Racional, se desentendeu com o Mestre Manuel e abandonou a seita. Ele retirou de circulação os discos que se tornaram valiosos itens de colecionadores. O sucesso “Imunização Racional” é apenas uma de várias pérolas presentes nesses trabalhos.

Nos anos 2000 novas faixas deste período foram descobertas, elas acabaram se tornando o disco “Racional Volume Três”, com destaque para as canções: “You Gotta Be Rational”, “Escrituração Racional”, “Brasil Racional”, “Universo em Desencanto Disco”, “O Grão Mestre Varonil”, “Do Nada ao Tudo” e “Minha Felicidade Racional”.

Em Família

Em 1975, Tim realizou o grande sonho de ser pai, e no dia 24 de janeiro Carmelo Maia veio ao mundo.

Uma curiosidade: Tim o registrou como Carmelo , mudou de idéia no mesmo dia e anunciou para toda família que Telmo tinha sido o nome escolhido. “Telmo” passou anos sem saber que seu nome de batismo era Carmelo, e só descobriu seu nome verdadeiro quando entrou para a escola.

Carmelo, o orgulho de Tim Maia, se formou em direito, artes cênicas e hoje administra a Seroma Produções e a Vitória Régia Discos.

Nos Embalos da Discoteque

Depois da fase racional, em 1978, Tim Maia aproveitou a explosão da “disco music e fez um dos seus discos mais populares e conceituados, o seminal “Tim Maia Disco Club”, que lançou um dos seus maiores hits, o petardo “Sossego”.

O álbum teve a participação de um supertime de músicos como Banda Black Rio, Hyldon, Pepeu Gomes e várias outras feras.

Anos 80

Chegar ao topo é uma coisa, permanecer é outra. Nos anos 80 Tim manteve a pegada e bombardeou as paradas de sucesso com uma coleção de hits inesquecíveis. A década começou quente com o grande sucesso “Você e Eu, Eu e Você (Juntinhos)”, e se manteve fervendo por todos os anos posteriores.

Navegando Pelas Águas do Sucesso

Não teve pra ninguém, durante a década de oitenta Tim Maia reinou absoluto como o cantor mais popular do Brasil. Nenhum outro artista conseguiu emplacar tantas músicas de forma tão consistente.

Em 1981 “Do Leme ao Pontal”, lançado no lado B do compacto “Amiga”, incendiou o verão e se tornou num dos seus grandes clássicos inesquecíveis.

Em 1982, com Sandra de Sá, gravou a arrebatadora “Vale Tudo”.

Em 1983 o LP “O Descobridor dos Sete Mares” rapidamente se transformou em outro arrasa- quarteirão que arrebentou nas paradas e conquistou as rádios de todo o país, com destaque para a canção-título “ O Descobridor Dos sete Mares” (Michel e Gilson Mendonça) e a balada românica “Me dê Motivo” (Michael Sullivan/Paulo Massadas).

Em 1985 repetiu a parceria vitoriosa com Sullivan e Massadas e gravou “Um Dia de Domingo”, num dueto com Gal Costa.

E foi assim até o final da década onde músicas como “Telefone”, “Pede a Ela”, “Leva”, “Pudera”, “Paixão Antiga”, “Tudo em Cima” e tantas outras fizeram o povo dançar e se emocionar.

 Anos 90 

A década de 90 foi marcada por um impressionante volume de trabalho e muitos problemas de saúde, mas mesmo assim Tim Lançou nove discos em apenas sete anos e conquistou uma nova geração de fãs.

Além da aclamação popular, Tim Maia também foi o artista mais consagrado pela crítica nesse período, vencendo por cinco vezes o atualmente conhecido como Prêmio da Música Brasileira (antigo prêmio Sharp) em 90,92,93,95 e 97.

Seroma: O Grito de Independência

Depois de muitos problemas com as gravadoras, Tim Maia resolveu assumir por completo o controle de sua carreira. Voltou com idéia da Seroma e direcionou suas energias para a Vitória Régia Discos, por onde passou a lançar seus trabalhos.

A Todo Vapor

Nesse período vários medalhões do pop brasileiro como Titãs, Marisa Monte e Paralamas do Sucesso gravaram suas canções. Tim retribuiu a gentileza e gravou “Como Uma Onda”, de Lulu Santos e Nelson Motta, que foi trilha de um comercial de TV muito popular, e se transformou num grande sucesso.

Em 1992 amigo de longa data Jorge Ben Jor estava na crista da onda e imortalizou o apelido de “Síndico do Brasil” no refrão do grande sucesso W/Brasil, de 1992. A homenagem impulsionou ainda mais a carreira de Tim durante a década de noventa.

Depois de conquistar sua independência com a Seroma e a Vitória Régia, Tim Maia aumentou sua produtividade e entrou na fase mais profílica e versátil de sua carreira. Chegou a gravar diversos discos por ano em diferentes estilos como bossa nova, funk , soul, baladas românticas, standarts americanos e hinos dos grandes clubes cariocas.

Um Banquinho e um Violão

Como muitos músicos de sua geração, Tim Maia também sofreu um tremendo impacto quando João Gilberto lançou o mítico “Chega de Saudade”.

Mas foi apenas em 1990 que ele se voltou para suas raízes cariocas e fez o belíssimo discos “Tim Maia Interpreta Clássicos da Bosa Nova”, totalmente aclamado por público e crítica. Em 1997 repetiu a dose com “Amigos do Rei – Tim Maia e os Cariocas.

O Adeus

Em 1998, durante uma apresentação no Teatro Municipal de Niterói, passou mal e teve que deixar o palco numa ambulância. Após complicações cardiovasculares, ficou internado durante uma semana no hospital vindo a falecer no dia 15 de março de infecção generalizada.

Mesmo anos depois de sua morte, Tim Maia ainda é um fenômeno de popularidade. Seu nome rende mais de duzentas mil buscas por ano no Google, e sua música permanece viva como trilha sonora de festas, sonhos e paixões de milhões de fãs espalhados pelo mundo.

Fonte: Site Oficial

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