Raul Seixas, o maluco beleza

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Raul Seixas – O Moleque Maravilhoso
por Sylvio Passos

Maria Eugênia Pereira dos Santos era uma garotinha bonita quando conheceu Raul Varella Seixas. Ela tinha sete anos, e ele nove. O namoro, que durante anos ficou somente na troca de olhares e bilhetinhos, culminou no casamento dos dois, às 17:30h do dia 16 de setembro de 1944, na Igreja do Bonfim, em Salvador, na Bahia. Nove meses após a união de Raul e Maria Eugênia, nascia o primeiro filho do casal, Raul Santos Seixas, em 28 de junho de 1945.

“Nasci baiano mesmo, na av. 7 de setembro, número 108, que é a avenida principal de Salvador. Hoje estão comendo bacalhau” …brincaria Raul, mais tarde, referindo-se ao Restaurante Português, que funciona hoje, na casa em que nasceu.

A vasta biblioteca de seu pai era seu brinquedo favorito. E foi daí que veio o gosto pela palavra e a miopia precoce. Vivia trancado no quarto devorando o “Livro dos Porquês” do “Tesouro da Juventude”. Inventava histórias fantásticas que, transformadas em gibis, e com desenhos do próprio Raul, eram vendidos ao irmão caçula, Plininho (Plínio Santos Seixas, três anos mais novo). Melô era o personagem central de suas histórias, um cientista louco que viajava no tempo com figuras históricas, Deus e o Diabo.

“Eu estava muito preocupado com a filosofia sem o saber (isto é, eu não sabia que era filosofia aquilo que eu pensava). Tinha mania de pensar que eu era maluco e ninguém queria me dizer. Gostava de ficar sozinho. Pensando. Horas e horas. Meu mundo interior é, e sempre foi, muito rico e intenso. Por isso o mundo exterior naquela época não me interessava muito. Eu criava o meu.”No ano de 1954, Raul ganhou seu primeiro violão, presente dos pais, ao qual, a princípio, ele não deu muita importância. Porém, pouco a pouco, foi dedilhando e, sozinho, aprendeu a tocar algumas músicas, acabando por se apaixonar pela novidade.

A família Seixas mudou-se para uma casa que ficava próxima ao Consulado Americano. Ali Raul conheceu os garotos do consulado, que lhe emprestaram alguns discos de Elvis Presley, Little Richard, Fats Domino, Chuck Berry etc. Foi o primeiro contato com o Rock and Roll.

“Eu ouvia os discos de Elvis Presley até estragar os sulcos. O rock era como uma chave que abriria minhas portas que viviam fechadas. Usava camisa vermelha, gola virada para cima. As mães não deixavam as filhinhas chegarem perto de mim porque eu era torto como o James Dean. Olhava de lado, com jeito de durão. Cada vez que eu cumprimentava uma pessoa dava três giros em torno do próprio corpo. Eu era o próprio rock. Eu era Elvis quando andava e penteava o topete. Eu era alvo de risos, gracinhas, claro. Eu tinha assumido uma maneira de vestir, falar e agir que ninguém conhecia. Claro que eu não tinha consciência da mudança social que o rock implicava. Eu achava que os jovens iam dominar o mundo.”

Aos poucos a escola foi ficando de lado. O bom era ficar na loja Can-tinho da Música, curtindo rock and roll ou marcando ponto no Elvis Rock Club, fã-clube de Elvis Presley, fundado por Raulzito e o amigo Waldir Serrão. Corria o ano de 1962 e a necessidade de fazer rock levou Raul a fundar, ao lado dos irmãos Délcio e Thildo Gama, o grupo Os Relâm-pagos do Rock. Chegaram a se apresentar na TV Itapoan, onde foram chamados de cantores de “música de cowboy”.

“Eu era um fracasso na escola. A escola não me dizia nada do que eu queria saber. Tudo o que eu sei, eu devo ao mundo, à rua, à vivência e, principalmente a mim mesmo. Repeti 5 vezes a 2. série do ginásio. Nunca aprendi nada na escola. Minto. Aprendi a odiá-la.”

O ano de 1964 foi importante para Raul Seixas. Os Relâmpagos do Rock, com nova formação, passam a se chamar The Panthers. Foi também o ano da profissionalização definitiva e da des-coberta dos Beatles.

Ainda em 1964, The Panthers entra em estúdio para gravar aquela que viria a ser a primeira gravação oficial: duas músicas para serem lançadas em um compacto (“Nanny”/ “Coração Partido”) pela Astor, que acabaram ficando apenas no acetato, não sendo lançadas comercialmente. Somente em 1992, a música “Nanny” seria lançada, entre outras gravações raras, no álbum O Baú do Raul.

O grupo passou então a se chamar Raulzito e Os Panteras. Depois de comprar uma aparelhagem nova e melhor, passou a tocar em boates e em shows em que, muitas vezes, brilhavam astros da Jovem Guarda como Roberto Carlos, Wanderléa, Jerry Adriani e, Rosemary, entre outros. Seus maiores rivais são os grupos de samba e bossa nova, aquartelados no Teatro Vila Velha de um lado e do outro o Cinema Roma, que era o templo do rock and roll, organizado por Waldir Serrão, O Big Ben.

Em nome do namoro com a americana Edith Wisner, Raul resolve parar tudo e retomar os estudos e, em pouco tempo, prestar o vestibular (para passar num dos pr-meiros lugares) para a faculdade de Direito. “Eu queria provar às pessoas, à minha família, como era fácil isso de estudar, passar em exames. Como não tinha a mínima importância.” Tão sem importância que, em 1967, decide ao mesmo tempo casar com Edith e retomar a carreira com Os Panteras.

Atendendo a um pedido de Jerry Adriani, Raul, Edith e Os Panteras partiram em viagem para o Rio, realizando um velho sonho. Conseguiram gravar, para a Odeon, o LP Raulzito e Os Panteras. Lançado em 1968, o disco foi ignorado tanto pela crítica quanto pelo público.

“Chegamos em fim de safra. Não entendíamos o que estava acontecendo. Agnaldo Timóteo de um lado, Gil e Os Mutantes de outro. Tocávamos coisas complicadas, minhas letras falavam de agnosticismo, essas coisas, e complicamos demais. Não tínhamos idéia do que era comercial em matéria de música em português.”

Com o fracasso do disco, ficam algum tempo como banda de apoio de Jerry Adriani, até a dissolução do grupo. “Só sobrou eu. Os outros não agüentaram a barra e caíram fora”. Desiludido e psicologicamente abalado, Raul voltou para Salvador.”

Em 1970, conheceu Evandro Ribeiro, diretor da CBS, hoje Sony Music. “Talvez eu tivesse trilhado o caminho da paranóia se não tivesse tido a chance que tive. Conheci o diretor da gravadora CBS lá mesmo, na Bahia, e foi ele mesmo quem me deu oportunidade de estar em contato com a arte outra vez.” E lá se foi Raul, com Edith, de volta para o Rio; desta vez para trabalhar como produtor de discos na CBS. Durante um ano, Raul criaria músicas e discos de sucesso para Jerry Adriani, Trio Ternura, Renato e Seus Blue Caps, Tony e Frankie, Diana e Sérgio Sampaio. “Sérgio Sampaio foi o primeiro artista que eu realmente descobri. Acreditei muito nesse cara. Acreditei tanto que ele me incentivou a ser artista outra vez.” Em novembro daquele ano, nasceu Simone, a primeira filha.

O incentivo de Sérgio Sampaio levou Raul a produzir e lançar, em julho de 1971, aproveitando a viagem do presidente da CBS, o LP Sociedade da Grã-Ordem Kavernista – apresenta – Sessão das 10, com participações do próprio Raul, com Sérgio Sampaio, Miriam Batucada, Edy Star. Isso lhe valeu a expulsão da CBS quando o presidente voltou. O disco então sumiu, “misteriosamente”, do mercado.

“Neste disco cada um cantava suas músicas em faixas separadas, num trabalho que resumia o caos da época. Valeu a pena, apesar de ter vendido muito pouco. Nós nos divertimos muito. Foi também a primeira vez que eu fiz algo para ser consumido e do qual me senti paranoicamente orgulhoso e feliz. Como os Beatles, que aprenderam no estúdio, eu aprendi tudo na CBS, os macetes todos. Aprendi a fazer música fácil, comercial, intuitiva e bonitinha, que leva direitinho o que a gente quer dizer.”

Em setembro de 1972, no VII Festival Internacional da Canção, à frente de um público ávido por novidades, Raul, mais uma vez incentivado pelo amigo Sérgio Sampaio, resolveu se tornar “popular”. Inscreveu no festival as canções “Eu sou eu, Nicuri é o Diabo”, defendida por Lena Rios e Os Lobos, e “Let me Sing, Let me Sing”, mistura de rock com baião, interpretada pelo próprio Raul, travestido de Elvis. Ambas foram classificadas.

“Depois de sair da CBS, onde ganhava 4 mil cruzeiros por mês, decidi ser Raul Seixas. Então usei, este é o termo, aquele negócio de brilhantina, do rock, do casaco de couro, como trampolim, como uma maneira de ser conhecido. Por que eu só passei a existir depois daquela encenação, daquele teatro que eu fiz. Combinar rock com baião foi a fórmula certa para chamar a atenção. Mas foi só o começo.”

A classificação de “Let me Sing, Let me Sing” entre as finalistas, além da excelente repercussão que Raul Seixas provocou no público e na imprensa, garantiu a continuidade de sua carreira como cantor e compositor da Philips. A consagração ainda tardaria alguns meses; tempo durante os quais Raul atuaria ao velho estilo, como produtor (e, no caso, também como cantor, anônimo, sem crédito na capa) de um disco antológico de clássicos de rock and roll e da Jovem Guarda: Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock (selo Polyfar, 1973).

Em 1975, esse disco seria reeditado com algumas alterações, como o nome de Raul na capa e um novo título, 20 Anos de Rock, aproveitando a notoriedade de Raul. Mas o “buuum” só viria mesmo com a explosão do compacto ”Ouro de Tolo”, (curiosidade: teve que ser prensado duas vezes em uma semana!). ”Ouro de Tolo” tinha uma letra autobiográfica e ao mesmo tempo uma bofetada na face da classe média do país (que trocava a verdadeira realização pelo acesso às bugigangas comuns de consumo), naqueles tempos de Milagre Brasileiro.

Contratado pela Philips (gravadora onde brilhavam os medalhões da MPB como Caetano, Gil, Gal etc…), Raul Seixas partiu para o primeiro álbum solo, Krig-ha, Bandolo! O título refere-se ao grito de guerra de Tarzan, que quer dizer: “cuidado, aí vem o inimigo”. Lançado em 1973 é considerado pela crítica como um dos seus melhores trabalhos.

“O LP Krig-ha, Bandolo! foi feito todo de uma vez. A música Ouro de Tolo foi lançada antes, por causa de uma jogada comercial da Philips, que remexeu na ópera, que é o LP, e dela retirou a parte que achava mais interessante. Então, para mim, o valor e o gosto ficam por conta de todo o LP, porque ele é o todo de um trabalho, onde todas as músicas se interligam e de onde é quase impossível você só tirar e citar uma parte.”

Raul Seixas e Paulo Coelho lançam Sociedade Alternativa em agosto, e dedicam-se com afinco aos estudos esotéricos, mergulhando fundo na obra do mago inglês Aleister Crowley. Raul anunciava que era hora de mudar o mundo e distribuía nos shows um gibi/manifesto chamado “A Fundação de Krig-ha”, ilustrado por Adalgisa Rios (esposa de Paulo, na época). A Sociedade Alternativa, com sede alugada, papel timbrado e relatórios mensais, chegou a anunciar a aquisição de um terreno em Minas Gerais, para a construção da Cidade das Estrelas, uma comunidade onde a lei única era “Faze o que tu queres, há de ser tudo da lei.” A idéia da Sociedade Alternativa não agradou a muitos e Raul foi preso e torturado pelo DOPS, tendo que deixar o país. Raul, Paulo, Edith e Adalgisa decidiram partir para os Estados Unidos, onde fizeram contato com algumas personalidades.

Enquanto isso aqui no Brasil, a música “Gita” tocava de norte a sul do país. E foi graças a esse sucesso que Raul e Cia. voltaram para o Brasil. Foi nessa época que o casamento de Raul com Edith foi chegando ao fim, e ela decidiu voltar para os Estados Unidos, levando consigo a filha do casal.
O sucesso de Gita deu a Raul Seixas o primeiro Disco de Ouro, com mais de 600 mil cópias vendidas. O mesmo não aconteceu com o disco seguinte: Novo Aeon (1975, Philips), que vendeu apenas 60 mil. “Foi a maior decepção, mas dei a volta por cima com Há 10 Mil Anos Atrás.”

Raul conheceu, então, outra americana, Glória Vaquer (“Spacey Glow”), irmã de seu guitarrista Gay Vaquer. Casou-se com Glória e, desta união, nasceu, no Rio de Janeiro, a segunda filha de Raul, Scarlet, em junho de 1976. Nesse ano lançou o álbum Há 10 Mil Anos Atrás, com Raul maquiado na capa como um “sábio ancião”. Chegou então ao fim a parceria com Paulo Coelho, embora conti-nuassem amigos (ou inimigos íntimos).

Decidiu sair da Philips para outra gravadora, a recém-fundada WEA. Marcou esse período o rosto sem barba nem bigode (suas “marcas registradas”) e a relação com um novo parceiro (e antigo vizinho dos tempos do Rio), Cláudio Roberto, professor de ginástica, poeta e cantor nas horas vagas. Juntos realizaram o LP O Dia em que a Terra Parou, em 1977. A crítica não gostou. Foi dito que não mantinha o mesmo “nível” dos trabalhos anteriores. Mas os fãs se deliciam com “Maluco Beleza”, “Sapato 36” e a faixa-título. Raul chegou a fazer alguns shows, mas sem muito sucesso, devido às críticas ao LP. Foi então que se separou de Glória, que, a exemplo de Edith, também voltou aos Estados Unidos com a filha Scarlet.

As mudanças em sua vida pessoal e profissional somadas a problemas de saúde, abalaram Raul. Para recuperar-se da pancreatite, agravada pelo consumo de bebidas alcoólicas, Raul Seixas resolveu passar alguns meses na fazenda dos pais em Dias D’Avilla, interior da Bahia. Voltou de lá mais gordo e com uma nova companheira, Tânia Menna Barreto. Com ela dividiu parceria em seu novo álbum, Mata Virgem (1978, WEA). O disco trazia de volta Paulo Coelho, mas a má divugação atrapalhou a vendagem do LP e a crítica também não ajudou.

Em 1979 faz seu último álbum para a WEA, Por Quem os Sinos Dobram, em parceria com o amigo Oscar Rasmussen. Raul saiu da gravadora levando sua secretária de imprensa, a carioca Ângela Costa, hoje mais conhecida como Kika Seixas.

Raul assinou um novo contrato com uma velha conhecida sua, a CBS e, em 1980, lançou o álbum Abre-te, Sésamo. O disco vendeu razoavelmente, porém bem menos do que merecia. Raul e Kika decidiram morar em São Paulo e, com a ajuda de Jair Rodrigues, conseguiram alugar uma casa no bairro do Brooklin.

São Paulo o recebeu de braços abertos. Iniciou, então, uma série de shows pela capital e interior do estado paulista. Na Zona Sul da cidade de São Paulo, nasceu, em 1981, a terceira e última filha de Raul, Vivian.
Chegou a fazer uma temporada no Teatro Pixinguinha com sucesso absoluto.

Ainda em 81, Raul rescindiu o contrato com a CBS por pedirem que dedicasse o próximo disco a Lady Diana – ela era ”o assunto do momento”. Nessa época, Sylvio Passos, com 18 anos, comunicou a Raul Seixas que havia fundado o Raul Rock Club. Ele ficou surpreso, e passou a participar ativamente do que denominaria de Raul Seixas Oficial Fã-Clube.
Sem gravadora, mas com um público enorme e fiel, apresentou-se para mais de 150 mil pessoas em 13 de fevereiro de 1982 no Festival Música na Praia, em Santos, São Paulo. Mas Raul andava insatisfeito e mergulhava cada vez mais na bebida, o que levou ao cancelamento de shows e crises de hepatite. Em maio de 82, apresentou-se tão alcoolizado em Caieiras, interior de São Paulo, que acabou sendo tomado por impostor de si mesmo, sendo preso e ameaçado pelo delegado da cidade.

Deprimido, sem um contrato com uma gravadora e ainda com problemas de saúde, Raul, juntamente com Kika, desenvolveu o projeto da ópera-rock Nuit e saiu batendo de porta em porta, visitando todas as gravadoras. Nada aconteceu. Chegou ao cúmulo de ouvir de um diretor artístico a seguinte frase: “Já estou vacinado contra Raul Seixas.” Magoado, Raul voltou para o Rio e ficou alguns meses num apartamento em Copacabana.
Até que João Lara Mesquita, jovem diretor do Estúdio Eldorado e fã incondicional de Raul, resolveu realizar um antigo projeto e convidou o ídolo para gravar. Raul, Kika e a filha Vivian então retornaram para São Paulo, e, em abril de 1983, o músico lançou o álbum Raul Seixas. O disco trazia também uma faixa gravada, ao vivo, durante um show realizado no Sociedade Esportiva Palmeiras, onde Raul Seixas contou, através das músicas, a história do rock and roll para mais de 10 mil pessoas.

Em 1983, lançou o livro As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor, dividido em três partes: a primeira, um diário escrito entre os sete e os quatorze anos, no qual nota-se um grande conhecimento de rock and roll; na segunda parte, uma série de contos feitos entre os doze e os vinte e um anos; e, finalmente, na terceira, uma história em quadrinhos, chamada A Lei dos Assassinos da Montanha que, segundo Raul, era um bom exemplo de humor negro.

Com o sucesso do disco, do livro e da turnê pelo Brasil, Raul e Kika realizaram uma viagem aos Estados Unidos para acompanhar de perto o que estava acontecendo musicalmente por lá. Voltaram com a bagagem cheia e inspiradíssimos. Raul então assinou novo contrato, dessa vez com a Som Livre e, em junho de 1984, lançou o álbum Metrô Linha 743.

O penúltimo casamento de Raul foi-se rompendo. A sua saúde também não andava boa. Mais uma vez ele decidiu voltar para Salvador, como fizera em 1978, para se recuperar. Depois de curta permanência em Salvador, voltou para São Paulo com nova companheira, Lena Coutinho.

Em São Paulo, junto com Lena, procurou uma nova gravadora, mas as portas do mundo artístico pareciam estar fechadas novamente para Raul. Enquanto isso, milhares de fãs e amigos permaneceram na expectativa de novidades. Em São Paulo, no ano de 1985, o Raul Rock Club (o Fã-Clube Oficial) lança o álbum Let me Sing my Rock and Roll, o primeiro disco produzido e distribuído independentemente por um fã-clube brasileiro, disputado hoje a peso de ouro por fãs e colecionadores.

Durante o ano de 1986, Raul e Lena continuaram à procura de uma gravadora e, finalmente, com a ajuda de amigos assinaram contrato para dois álbuns com a Copacabana. Porém, os problemas com a saúde atrapalharam as sessões de gravação no estúdio e o LP, que todos esperavam para esse ano, acabou sendo lançado só no início de 1987. O disco trazia como título o grito de guerra de rock and roll: Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!

O disco tocou de norte a sul do país e mais uma vez, Raul Seixas era notícia, ocupando lugares de destaque na mídia e, o melhor, sua música estava na boca do povo. Contudo, continuava desaparecido dos palcos e da TV devido à sua saúde precária (em parte culpa do problema do abuso de bebidas alcoólicas).

A música “Cowboy Fora-da-Lei” estourou nas paradas de sucesso ganhando videoclipe no Fantástico e a sua inclusão na trilha sonora da novela das sete da Rede Globo. A música revelava uma “quase” paranóia de Raul, onde diz: “Mamãe, não quero ser prefeito/ pode ser que eu seja eleito/ e alguém pode querer me assassinar.”

A convite do discípulo e amigo Marcelo Nova, então vocalista e letrista do grupo baiano Camisa de Vênus, Raul Seixas participou da gravação do álbum que o grupo preparava para lançar, dividindo vocais e parceria com Marcelo Nova na música “Muita Estrela, Pouca Constelação”, referindo-se ao cenário pop brasileiro de maneira desdenhosa.

No ano seguinte,1988, mostrou que ainda estava “vivo”, lançando, em setembro, o álbum A Pedra do Gênesis, que falava da controvertida Sociedade Alternativa.

A música “Não Quero Mais Andar na Contramão”, provou que Raul não estava mais a fim de maluquices e que seu papo agora era paz e sossego, no aconchego do lar… sossego que virou tédio. Marcelo Nova, para tirá-lo desse tédio, convidou-o para viajar para Salvador, onde iria se apresentar.

Raul, que estava afastado dos palcos há três anos (sua última apresentação, ao vivo, foi em dezembro de 1985, em São Caetano do Sul, São Paulo), aceitou o convite. Na capital baiana,iniciaram juntos uma série de 50 shows, que visitou os quatro cantos do Brasil. Uma aventura que acabou resultando no disco A Panela do Diabo, lançado dois dias antes do falecimento de Raul.

Segunda-feira, 21 de agosto de 1989, nove horas da manhã. Dalva Borges da Silva, a empregada de Raul, chegou ao apartamento número 1003, do Edifício Aliança, Zona Central de São Paulo, e encontrou Raul Seixas morto em sua cama. Dalva imediatamente entrou em contato com o médico e a família de Raul. A notícia se espalhou e logo as emissoras de rádio e TV divulgaram o fato.

Fãs, jornalistas e amigos dirigiram-se ao prédio onde Raul residia. Raulzito havia falecido duas horas antes da chegada de Dalva ao prédio, de parada cardíaca, causada pela pancreatite de que sofria há dez anos.

O corpo foi levado para o Palácio das Convenções do Anhembi, Zona Norte de São Paulo, onde foi velado durante toda a noite e madrugada a dentro. Às oito horas da manhã do dia seguinte o corpo seguiu num jatinho para Salvador, onde foi sepultado às 17 horas no Cemitério Jardim da Saudade.

Passados tantos anos de sua grande viagem, Raul Seixas continua mais vivo do que nunca. Desde seu falecimento em 21 de agosto de 1989, o número de pessoas interessadas em sua vida e obra vem aumentando consideravelmente. Pessoas de todas as faixas etárias e classes sociais se organizam nos inúmeros fãs-clubes criados para homenageá-lo. Casas culturais, praças, ruas, parques e viadutos recebem seu nome.

Revistas, pôsteres e cerca de 20 livros enfocando sua vida e obra continuam no mercado. Todos os títulos de sua imensa discografia já foram reeditados em CD, e novos títulos são lançados constantemente. Programas de rádio e TV, romarias ao Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador, passeatas, carreatas e inúmeros eventos acontecem anualmente em todo o Brasil nas datas de nascimento e morte, 28 de junho e 21 de agosto, respectivamente.

Discografia
Álbuns de carreira
1968 – Raulzito e Os Panteras – Odeon
Brincadeira (Mariano Lanat)
Por Quê? Pra Quê? (Eládio Gilbraz)
Um Minuto Mais (I Will, de Dick Glasser – versão: Raulzito)
Vera Verinha (Raulzito/Eládio)
Você Ainda Pode Sonhar (Lucy In The Sky With Diamonds, de John Lennon e Paul McCartney – versão: Raulzito)
Menina de Amaralina (Raulzito)
Triste Mundo (Mariano Lanat)
Dê-Me Tua Mão (Raulzito)
Alice Maria (Raulzito/Eládio Gilbraz/Mariano Lanat)
Me Deixa Em Paz (Mariano Lanat/Raulzito/Carleba)
Trem 103 (Raulzito)
O Dorminhoco (Carleba/Eládio Gilbraz/Mariano Lanat/Raulzito)
Produzido por Milton Miranda

1971 – Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das 10 – CBS/Sony Music
(RAUL SEIXAS, EDY STAR, SÉRGIO SAMPAIO e MIRIAM BATUCADA)
Êta Vida (Raul Seixas/Sérgio Sampaio) Interpretação: Raul Seixas e Sérgio Sampaio
Sessão das 10 (Raul Seixas) Interpretação: Edy Star
Eu Vou Botar Pra Ferver (Raul Seixas) Interpretação: Raul Seixas e Sérgio Sampaio
Eu Acho Graça (Sérgio Sampaio) Interpretação: Sérgio Sampaio
Chorinho Inconsequente (Sérgio Sampaio/Erivaldo Santos) Interpretação: Miriam Batucada
Quero Ir (Raul Seixas/Sérgio Sampaio) Interpretação: Raul Seixas e Sérgio Sampaio
Soul Tabarôa (Antonio Carlos/Jocáfi) Interpretação: Miriam Batucada
Todo Mundo Está Feliz (Sérgio Sampaio) Interpretação: Sérgio Sampaio
Aos Trancos e Barrancos (Raul Seixas) Interpretação: Raul Seixas
Eu Não Quero Dizer Nada (Sérgio Sampaio) Interpretação: Edy Star
Dr. Paxeco (Raul Seixas) Interpretação: Raul Seixas
Finale Interpretação: Todos
Produzido por Raul Seixas

1973 – Os 24 Maiores Sucesso da Era do Rock – Polyfar/Universal Music
(Reeditado em 1975 e 1985 como 20 e 30 Anos de Rock respectivamente)
Rock Around The Clock / Blue Suede Shoes / Tutti Frutti / Long Tall Sally
Rua Augusta / O Bom
Poor Little Fool / Bernardine
Estúpido Cupido / Banho De Lua / Lacinhos Cor-de-Rosa
The Great Pretender
Diana / Little Darling / Oh! Carol / Runaway
Marcianita / É Proibido Fumar / Pega Ladrão
Jambalaya / Shake, Rattle and Roll / Bop-A-Lena
Only You
Vem Quente Que Eu Estou Fervendo
Produzido por Raul Seixas e Nelson Motta

1973 – Krig, ha, Bandolo! – Philips/Universal Music
Introdução (Raul, aos 9 anos, cantando Good Rockin’ Tonight)
Mosca na Sopa (Raul Seixas)
Metamorfose Ambulante (Raul Seixas)
Dentadura Postiça (Raul Seixas)
As Minas do Rei Salomão (Raul Seixas/Paulo Coelho)
A Hora do Trem Passar (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Al Capone (Raul Seixas/Paulo Coelho)
How Could I Know (Raul Seixas)
Rockixe (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Cachorro Urubu (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Ouro de Tolo (Raul Seixas)
Produzido por Mazzola

1974 – Gita – Philips/Universal Music
Super Heróis (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Medo da Chuva (Raul Seixas/Paulo Coelho)
As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor (Raul Seixas)
Água Viva (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Moleque Maravilhoso (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Sessão das 10 (Raul Seixas)
Sociedade Alternativa (Raul Seixas/Paulo Coelho)
O Trem das 7 (Raul Seixas)
S. O. S. (Raul Seixas)
Prelúdio (Raul Seixas)
Loteria de Babilônia (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Gita (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Produzido por Mazzola

1974 – O Rebu (Trilha Sonora Nacional R.Seixas/P.Coelho) – Som Livre
Como Vovó Já Dizia (Raul Seixas/Paulo Coelho) – Interpretação: Raul Seixas
Por quê? (Raul Seixas/Paulo Coelho) – Interpretação: Sônia Santos
Planos de Papel (Raul Seixas) – Interpretação: Alcione
Catherine (Paulo Coelho) – Interpretação: Orquestra Som Livre
Murungando (Raul Seixas) – Interpretação: Betinho
O Rebu (Raul Seixas/Paulo Coelho) – Interpretação: Orquestra Som Livre
Salve a Mocidade (Luiz Reis) – Interpretação: Elza Soares
Um Som Para Laio (Raul Seixas) – Interpretação: Raul Seixas
Se o Rádio Não Toca (Raul Seixas/Paulo Coelho) – Interpretação: Fábio
Água Viva (Raul Seixas/Paulo Coelho) – Interpretação: Raul Seixas
Tema Dançante (Roberto Menescal) – Interpretação: Orquestra Som Livre
Vida a Prestação (Raul Seixas/Paulo Coelho) – Interpretação: Trama
Senha (Paulo Coelho) – Interpretação: Orquestra Som Livre
Trambique (Adilson Manhães, João Roberto Kelly) – Interpretação: *Raulzito (*Não é Raul Seixas)
 Produzido por Guto Graça Mello e Mazzola

1975 – Novo Aeon – Philips/Universal Music
Tente Outra Vez – (Raul Seixas/Paulo Coelho/Marcelo Motta)
Rock do Diabo – (Raul Seixas/Paulo Coelho)
A Maçã – (Raul Seixas/Paulo Coelho/Marcelo Motta)
Eu Sou Egoísta – (Raul Seixas/Marcelo Motta)
Caminhos – (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Tu És o MDC Da Minha Vida – (Raul Seixas/Paulo Coelho)
A Verdade Sobre A Nostalgia – (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Para Nóia – (Raul Seixas)
Peixuxa (O Amiguinho dos Peixes) – (Raul Seixas/Marcelo Motta)
É Fim de Mês – (Raul Seixas)
Sunseed – (Raul Seixas/Spacey Glow)
Caminhos II – (Raul Seixas/Paulo Coelho/Eládio Gilbraz)
Novo Aeon – (Raul Seixas/Cláudio Roberto/Marcelo Motta)
Produzido por Mazzola


1976 – Há 10 Mil Anos Atrás – Philips
/Universal Music
Canto para Minha Morte – (Raul Seixas / Paulo Coelho)
Meu Amigo Pedro – (Raul Seixas / Paulo Coelho)
Ave Maria da Rua – (Raul Seixas / Paulo Coelho)
Quando Você Crescer – (Raul Seixas / Paulo Coelho / Jay Vaquer)
O Dia da Saudade – (Raul Seixas / Jay Vaquer)
Eu Também Vou Reclamar – (Raul Seixas / Paulo Coelho)
As Minas do Rei Salomão – (Raul Seixas / Paulo Coelho)
O Homem – (Raul Seixas / Paulo Coelho)
Os Números – (Raul Seixas / Paulo Coelho)
Cantiga de Ninar – (Raul Seixas / Paulo Coelho)
Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás – (Raul Seixas / Paulo Coelho)
Produzido por Sérgio de Carvalho

1977 – Raul Rock Seixas – Fontana/Universal Music
My Way / Trouble
The Diary
My Baby Left Me / Thirty Days / Rip it Up
All I Have to Do Is Dream / Put Your Head on My Shoulder / Dear Someone
Do You Know What It Means to Miss New Orleans
Lucille / Corrine Corrina
Ready Teddy / Hard Headed Woman / Baby I Don’t Care
Just Because
Bye Bye Love / Be Bop A Lula / Love Letters In the Sand / Hello Mary Lou
Blue Moon Of Kuntucky / Asa Branca
Produzido por Sérgio de Carvalho

1977 – O Dia Em Que A Terra Parou – WEA
Tapanacara (Raul Seixas/Claudio Roberto)
Maluco Beleza (Raul Seixas/Claudio Roberto)
O Dia Em Que a Terra Parou (Raul Seixas/Claudio Roberto)
No Fundo do Quintal da Escola (Raul Seixas/Claudio Roberto)
Eu Quero Mesmo (Raul Seixas/Claudio Roberto)
Sapato 36 (Raul Seixas/Claudio Roberto)
Você (Raul Seixas/Claudio Roberto)
Sim (Raul Seixas/Claudio Roberto)
Que Luz É Essa? (Raul Seixas/Claudio Roberto)
De Cabeça-Pra-Baixo (Raul Seixas/Claudio Roberto)
Produzido por Mazzola

1978 – Mata Virgem – WEA
Judas (Raul Seixas/Paulo Coelho)
As Profecias (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Tá Na Hora (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Planos De Papel (Raul Seixas)
Conserve Seu Medo (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Negócio É (Eduardo Brasil/Claudio Roberto)
Mata Virgem (Raul Seixas/Tânia Menna Barreto)
Pagando Brabo (Raul Seixas/Tânia Menna Barreto)
Magia De Amor (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Todo Mundo Explica (Raul Seixas)
Produzido por Gastão Lamounier e Raul Seixas

1979 – Por Quem Os Sinos Dobram – WEA
Ide a Mim Dada (Raul Seixas/Oscar Rasmussen)
Diamante De Mendigo (Raul Seixas/Oscar Rasmussen)
A Ilha Da Fantasia (Raul Seixas/Oscar Rasmussen)
Na Rodoviária (Raul Seixas/Oscar Rasmussen)
Por Quem Os Sinos Dobram (Raul Seixas/Oscar Rasmussen)
O Segredo Do Universo (Raul Seixas/Oscar Rasmussen)
Dá-Lhe Que Dá (Raul Seixas/Oscar Rasmussen)
Movido A Álcool (Raul Seixas/Oscar Rasmussen/Tânia Menna Barreto)
Requiém Para Uma Flor (Raul Seixas/Oscar Rasmussen)
Produzido por Gastão Lamounier e Oscar Rasmussen

1980 – Abre-te Sésamo – CBS/Sony Music
Abre-te Sésamo (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
Aluga-se (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
Anos 80 (Raul Seixas / Dedé Caiano)
Angela (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
Conversa Pra Boi Dormir (Raul Seixas)
Minha Viola (Raul Varella Seixas)
Rock das Aranha (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
O Conto do Sábio Chinês (Raul Seixas)
Só Pra Variar (Raul Seixas / Kika Seixas / Cláudio Roberto)
Baby (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
Ê, Meu Pai (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
À Beira do Pantanal (Raul Seixas / Cláudio Roberto)
Produzido por Raul Seixas e Mauro Motta

1983 – Raul Seixas – Gravadora Eldorado
D.D.I. (Discagem Direta Interestelar) – (Raul Seixas / Kika Seixas)
Coisas do Coração – (Raul Seixas / Kika Seixas / Cláudio Roberto)
Coração Noturno – (Raul Seixas / Kika Seixas / Raul Varella Seixas)
Não Fosse o Cabral (Slippin And Slidin) – (Penniman / Bocage / Collins / Smith – Versão: Raul Seixas)
Quero Mais – (Raul Seixas / Kika Seixas / Cláudio Roberto)
Lua Cheia – (Raul Seixas)
Carimbador Maluco – (Raul Seixas)
Segredo da Luz – (Raul Seixas / Kika Seixas)
Aquela Coisa – (Raul Seixas / Kika Seixas / Cláudio Roberto)
Eu Sou Eu, Nicuri É O Diabo – (Raul Seixas)
Capim Guiné – (Raul Seixas / Wilson Aragão)
Babilina – (Vicent / Davis – Versão: Raul Seixas)
So Glad You’re Mine – (Arthur Big Boy Crudup)
Produzido por Miguel Cidras

1984 – Ao Vivo – Único e Exclusivo – Gravadora Eldorado
My Baby Left Me  (Arthur Crudup)
Ain’t She Sweet (Jack Yellen/Milton Ager)
So Glad You’re Mine (Arthur Crudup)
Do You Know What It Means to Miss New Orleans (Louis Alter/Eddie DeLarge)
Barefoot Ballad (Dolores Fuller/Lee Morris)
Blue Moon Kentucky (Bill Monroe) / Asa Branca (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira)
Roll Over Beethoven (Chucky Berry)
Blue Suede Shoes (Carl Perkins)
Be Bop a Lula (“Sheriff Tex” Davis/Gene Vicent)
Produzido por Aluizio Falcão

1984 – Metrô Linha 743 – Som Livre
(* Em 2004 foi reeditado com a inédita Anarkilópolis, não lançada na época)
Metrô Linha 743 (Raul Seixas)
Um Messias Indeciso (Raul Seixas / Kika Seixas)
Meu Piano (Raul Seixas / Kika Seixas / Cláudio Roberto)
Quero Ser O Homem Que Sou (Dizendo a verdade) (Raul Seixas / A. Simeoni / Kika Seixas)
Canção do Vento (Raul Seixas / Kika Seixas)
Mamãe Eu Não Queria (Raul Seixas)
Mas I Love You (Pra Ser Feliz) (Rick Ferreira / Raul Seixas)
Eu Sou Egoísta (Raul Seixas / Marcelo Motta)
O Trem das 7 (Raul Seixas)
A Geração da Luz (Raul Seixas / Kika Seixas)
*Anarkilópolis (Raul Seixas/Sylvio Passos)
Produzido por Alexandre Agra e Raul Seixas

1985 – Let Me Sing My Rock and Roll – Raul Rock Club
Introdução (Raul no Estúdio Free/Dez 1979)
Let Me Sing, Let Me Sing (Raul Seixas/Nadine Wisner)
Teddy Boy, Rock e Brilhantina (Raul Seixas)
Eterno Carnaval (Raul Seixas)
Caroço de Manga (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Loteria da Babilônia (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Não Pare na Pista (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Como Vovó Já Dizia (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Um Som para Laio (Raul Seixas)
Rua Augusta (Hervê Cordovil) / O Bom (Carlos Imperial)
Canto Para Minha Morte (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Love is Magick (Raul Seixas/Spacey Glow)
Blue Moon of Kentucky (Bill Monroe) / Asa Branca (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira)
2ª parte da introdução (Depoimento de Raul Seixas/Dez 1979)
Produzido por Sylvio Passos

1986 – Raul Rock Volume 2 – Fontana/Universal Music
As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor (Raul Seixas)
Não Pare na Pista (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Tu És o MDC da Minha Vida (Raul Seixas/Paulo Coelho)
A Verdade Sobre a Nostalgia (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Teddy Boy, Rock e Brilhantina (Raul Seixas)
Loteria da Babilônia (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Como Vovó Já Dizia (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Al Capone (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Ave Maria da Rua (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Um Som para Laio (Raul Seixas)
Rockixe (Raul Seixas/Paulo Coelho)
S.O.S. (Raul Seixas)
Produzido por Sylvio Passos

1987 – Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! – Copacabana
Quando Acabar o Maluco Sou Eu (Raul Seixas/Lena Coutinho/Cláudio Roberto)
Cowboy Fora da Lei (Raul Seixas/Cláudio Roberto)
Paranóia II (Baby Baby Baby) (Raul Seixas/Lena Coutinho/Cláudio Roberto)
I Am (Raul Seixas)
Cambalache (Enrique Discépolo)
Loba (Raul Seixas/Lena Coutinho/Cláudio Roberto)
Canceriano Sem Lar (Clínica Tobias Blues) (Raul Seixas)
Gente (Raul Seixas/Cláudio Roberto)
Cantar (Raul Seixas/Cláudio Roberto)
Produzido por Raul Seixas e Rick Ferreira

1988 – A Pedra do Gênesis – Copacabana
A Pedra do Gênesis (Raul Seixas/Lena Coutinho/José Roberto Abrahão)
A Lei (Raul Seixas)
Check-Up (Raul Seixas)
Fazendo O Que O Diabo Gosta (Raul Seixas/Lena Coutinho)
Cavalos Calados (Raul Seixas)
Não Quero Mais Andar Na Contra-Mão (No No Song – David P. Jackson/H.Axton – Versão: Raul Seixas/Lena Coutinho)
I Don’t Really Need You Anymore (Raul Seixas/Cláudio Roberto)
Lua Bonita (Zé do Norte/Zé Martins)
Senhora Dona Persona (Raul Seixas/Lena Coutinho)
Areia da Ampulheta (Raul Seixas)
Produzido por Raul Seixas e Miguel Cidras

1989 – A Panela do Diabo (com Marcelo Nova) – WEA
Be-Bop-A-Lula (Gene Vincent / Bill “Sheriff Tex” Davis)
Rock ‘n’ Roll (Raul Seixas / Marcelo Nova)
Carpinteiro do Universo (Raul Seixas / Marcelo Nova)
Quando Eu Morri (Marcelo Nova)
Banquete de Lixo (Raul Seixas / Marcelo Nova)
Pastor João E A Igreja Invisível (Raul Seixas / Marcelo Nova)
Século XXI (Marcelo Nova / Raul Seixas)
Nuit (Raul Seixas / Kika Seixas)
Best Seller (Marcelo Nova / Raul Seixas)
Você Roubou Meu Videocassete (Raul Seixas / Marcelo Nova)
Cãibra no Pé (Marcelo Nova / Raul Seixas)
Produzido por Pena Schmidt, Calazans, Marcelo Nova e Raul Seixas

ÁLBUNS PÓSTUMOS

1992 – O Baú do Raul – Philips/Universal Music
Apresentação do The Panters na TV Itapoan: Be-Bop-A-Lula (Davis/Vicent)/Jailhouse Rock (Leiber/Stoller)/Teddy Bear (Mann/Lowe)/Whole Lotta Shakin’ Goin’On (Willians/David)/Mulher Rendeira (Zé do Norte)
Nanny (Gino Frey)
How Could I Know (Raul Seixas)
Let Me Sing, Let Me Sing (Raul Seixas/Nadine Wisner)
Eu Sou Eu, Nicuri É O Diabo (Raul Seixas)
Metamorfose Ambulante (Em Espanhol) (Raul Seixas)
Ouro de Tolo (Em Espanhol) (Raul Seixas)
Todo Mundo Explica (Raul Seixas)
Can’t Help Falling In Love (Peretti/Creatone/Weiss)
Wee Wee Hours (Chuck Berry)
Keeps On A Raining (Willians/Kortlander)
Kansas City (J. Leiber/M. Stoller)
Honey Don’t (Carl Perkins)
I’ll Cry Instead (John Lennon/Paul McCartney)
Sou O Que Sou (Raul Seixas/Tânia Menna Barreto)
Produzido por Sylvio Passos

1993 – Raul Vivo (Ao Vivo em São Paulo 1983) – Gravadora Eldorado
Rock do Diabo
So Glad You’re Mine
My Baby Left Me
Ain’t She Sweet
Do You Know What Means To Miss New Orleans
Barefoot Ballad
Blue Moon Of Kentucky/Asa Branca
Roll Over Beethoven
Blue Suede Shoes
Be-Bop-A-Lula
Rock das Aranhas
Maluco Beleza
Sociedade Alternativa
Rockixe
Metamorfose Ambulante
O Trem das Sete
Prelúdio
Medley: Gita/Ouro de Tolo/Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás
Produzido por Paulo Gonçalves

1994 – Se O Rádio Não Toca… (Ao vivo em Brasília 1974) – Gravadora Eldorado
Medley (Al Capone/Rockixe/Prelúdio/Como Vovó Já Dizia)
Se o Rádio Não Toca
Loteria da Babilônia
Água Viva
Lua Bonita
Monólogo
Sessão das Dez
Gita
Como Vovó Já Dizia
As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor
S.O.S.
Metamorfose Ambulante
O Trem das 7
Não Pare Na Pista
Sociedade Alternativa
Rock Around The Clock
Produzido por Sylvio Passos

1998 – Documento – MZA Music
(*Reeditado em 2009 como “20 Anos Sem Raul Seixas” acrescido da inédita Gospel)
*Gospel (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Love is Magick (Raul Seixas/Spacey Glow)
Morning Train (O Trem das 7) (Raul Seixas)
Faça, Fuce, Force (Raul Seixas)
Blue Moon of Kentucky (Bill Monroe) / Asa Branca (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira)
Orange Juice (S.O.S.) (Raul Seixas)
Check-Up (Raul Seixas)
How Could I Know (Raul Seixas)
Rockixe (Raul Seixas/Paulo Coelho)
White Wings (Asa Branca) (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira – Versão: Raul Seixas)
Fool´s Fold (Ouro de Tolo) (Raul Seixas)
Let Me Sing, Let Me Sing (Raul Seixas/Nadine Wisner)
Se o Rádio Não Toca (Raul Seixas/Paulo Coelho)
É Fim de Mês (Raul Seixas)
Produzido por Mazzola

2005 – O BAÚ DO RAUL REVIRADO – Lançado somente em CD como brinde do livro “O Baú do Raul Revirado”.
Tutti Frutti (Raulzito, Plininho e Dudu) – Diálogo entre Raulzito, Plininho e Dudu gravado no apartamento da família Seixas em Salvador – BA, 1964.
Eu Sou Egoísta (Raul Seixas/Marcelo Motta) – Gravação caseira realizada em 1975 no Rio de Janeiro.
Angel (Raul Seixas/J.R.R.Abrahão) – Composição inédita gravada em casa, em um gravador mono. São Paulo, 1988.
Brazilian Rock (Raul Seixas) – Gravado ao vivo durante show realizado no Teatro Pixinguinha, São Paulo, em 4 de Julho de 1981.
Manifesto Sociedade Alternativa (Raul Seixas) – Gravado ao vivo durante show realizado no Teatro Pixinguinha, São Paulo, em 4 de Julho de 1981.
Lena (Raul Seixas) – Composição inédita gravada em casa, em um gravador mono. Butantã, São Paulo, 1988.
Produzido por Sylvio Passos

2012 – Raul  – O Inicio, O Fim e O Meio (Trilha Sonora Original) – Universal Music
CD 1
01 Let Me Sing, Let Me Sing (P)1972
02 Mosca Na Sopa (P)1973
03 Al Capone (P)1973
04 Ouro De Tolo (P)1973
05 Metamorfose Ambulante (P)1973
06 Gîtâ (P)1974
07 Sociedade Alternativa (P)1974
08 Como Vovó Já Dizia (P)1974
09 Sessão Das 10 (P)1974
10 Medo Da Chuva (P)1974
11 A Maçã (P)1975
12 Tente Outra Vez (P)1975
13 Rock Do Diabo (P)1975
14 É Fim De Mês (P)1975

CD 2
01 Tu És O MDC Da Minha Vida (P)1975
02 A Verdade Sobre A Nostalgia (P)1975
03 Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás (P)1976
04 Eu Também Vou Reclamar (P)1976
05 Meu Amigo Pedro (P)1976
06 Canto Para Minha Morte (P)1976
07 Maluco Beleza (P)1977
08 Lucille/Corrine, Corrina (P)1977
09 Blue Moon of Kentucky/Asa Branca (P)1977
10 Aluga-Se (P)1980
11 Rock Das “Aranha” (P)1980
12 O Carimbador Maluco (P)1983
13 Cowboy Fora Da Lei (P)1987
14 Carpinteiro Do Universo (P)1989

2014 – “Eu Não Sou Hippie” (Ao vivo no Cine Teatro Patrocínio – Patrocínio/MG 1974) – Gravadora Eldorado
01) Se o Rádio Não Toca (Raul Seixas/Paulo Coelho)
02) Ouro de Tolo (Raul Seixas)
03) O Trem das Sete (Raul Seixas)
04) Cachorro Urubu (Raul Seixas/Paulo Coelho)
05) Gita (Raul Seixas/Paulo Coelho)
06) Água Viva (Raul Seixas/Paulo Coelho)
07) Sessão das 10 (Raul Seixas)
08) As Minas do rei Salomão (Raul Seixas/Paulo Coelho)
09) Não Pare na Pista (Raul Seixas/Paulo Coelho)
10) Let Me Sing, Let Me Sing (Raul Seixas/Nadine Wisner)
11) Rock Around The Clock (Max C. Freedman/James E. Myers)
12) Ready Teddy (John Marascalco/Robert Blackwell)
13) Metamorfose Ambulante (Raul Seixas)
14) As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor (Raul Seixas)
15) Sociedade Alternativa (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Produzido por Sylvio Passos

2014 – “Isso Aqui Não é Woodstock, Mas Um Dia Pode Ser” (Ao vivo no II Festival de Águas Claras 1981) – Gravadora Eldorado
01) Rock do Diabo (Raul Seixas/Paulo Coelho)
02) Aluga-se (Raul Seixas/Claudio Roberto)
03) Como Vovó Já Dizia (Raul Seixas/Paulo Coelho)
04) Abre-te Sésamo (Raul Seixas/Claudio Roberto)
05) As Aventuras de Raul Seixas Na Cidade de Thor (Raul Seixas)
06) O Trem das Sete (Raul Seixas)
07) Blue Suede Shoes (Carl Perkins)
08) Ready Teddy (John Marascalco/Robert Blackwell)
09) Maluco Beleza ((Raul Seixas/Claudio Roberto)
10) Al Capone (Raul Seixas/Paulo Coelho)
11) Rock das “Aranha” (Raul Seixas/Claudio Roberto)
12) Sociedade Alternativa (Raul Seixas/Paulo Coelho)
Produzido por Sylvio Passos

DVDs OFICIAIS
2004 – O Baú do Raul: Uma Homenagem a Raul Seixas – Som Livre
2009 – 20 Anos Sem Raul Seixas (CD + DVD) – MZA Music
2012 – Raul – O Início, o Fim e o Meio – Paramount
2014 – 25 anos Sem o Maluco Beleza – Toca Raul! – Gravadora Eldorado

Fonte: Raul Rock Club / Raul Seixas Oficial Fã Clube

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